Saturday, November 7, 2026

4



“Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva de caos telúrico, procedo









Monólogo de uma sombra 「Poema」 - Augusto dos Anjos



“Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva de caos telúrico, procedo
Da escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias!

A simbiose das coisas me equilibra.
Em minha ignota mônada, ampla, vibra
A alma dos movimentos rotatórios...
E é de mim que decorrem, simultâneas
A saúde das forças subterrâneas
E a morbidez dos seres ilusórios!

Pairando acima dos mundanos tetos,
Não conheço o acidente da Senectus
— Esta universitária sanguessuga
Que produz, sem dispêndio algum de vírus,
O amarelecimento do papirus
E a miséria anatômica da ruga!

Na existência social, possuo uma arma
— O metafisicismo de Abidarma —
E trago, sem bramânicas tesouras,
Como um dorso de azêmola passiva,
A solidariedade subjetiva
De todas as espécies sofredoras.

Com um pouco de saliva quotidiana
Mostro meu nojo à Natureza Humana.
A podridão me serve de Evangelho...
Amo o esterco, os resíduos ruins dos quiosques
E o animal inferior que urra nos bosques
É com certeza meu irmão mais velho!

Tal qual quem para o próprio túmulo olha,
Amarguradamente se me antolha,
À luz do americano plenilúnio,
Na alma crepuscular de minha raça
Como uma vocação para a Desgraça
E um tropismo ancestral para o Infortúnio.

Ai vem sujo, a coçar chagas plebéias,
Trazendo no deserto das idéias
O desespero endêmico do inferno,
Com a cara hirta, tatuada de fuligens,
Esse mineiro doido das origens,
Que se chama o Filósofo Moderno!

Quis compreender, quebrando estéreis normas,
A vida fenomênica das Formas,
Que, iguais a fogos passageiros, luzem...
E apenas encontrou na idéia gasta,
O horror dessa mecânica nefasta,
A que todas as coisas se reduzem!

E hão de achá-lo, amanhã, bestas agrestes,
Sobre a esteira sarcófaga das pestes
A mostrar, já nos últimos momentos,
Como quem se submete a uma charqueada,
Ao clarão tropical da luz danada,
O espólio dos seus dedos peçonhentos.

Tal a finalidade dos estames!
Mas ele viverá, rotos os liames
Dessa estranguladora lei que aperta
Todos os agregados perecíveis,
Nas eterizações indefiníveis
Da energia intra-atômica liberta!

Será calor, causa úbiqua de gozo,
Raio* X, magnetismo misterioso,
Quimiotaxia, ondulação aérea,
Fonte de repulsões e de prazeres,
Sonoridade potencial dos seres,
Estrangulada dentro da matéria!

E o que ele foi: clavículas, abdômen,
O coração, a boca, em síntese, o Homem,
— Engrenagem de vísceras vulgares —
Os dedos carregados de peçonha,
Tudo coube na lógica medonha
Dos apodrecimentos musculares!

A desarrumação dos intestinos
Assombra! Vede-a! Os vermes assassinos
Dentro daquela massa que o húmus come,
Numa glutoneria hedionda, brincam,
Como as cadelas que as dentuças trincam
No espasmo fisiológico da fome.

É uma trágica festa emocionante!
A bacteriologia inventariante
Toma conta do corpo que apodrece...
E até os membros da família engulham,
Vendo as larvas malignas que se embrulham
No cadáver malsão, fazendo um s.

E foi então para isto que esse doudo
Estragou o vibrátil plasma todo,
À guisa de um faquir, pelos cenóbios?!...
Num suicídio graduado, consumir-se,
E após tantas vigílias, reduzir-se
À herança miserável dos micróbios!

Estoutro agora é o sátiro peralta
Que o sensualismo sodomista exalta,
Nutrindo sua infâmia a leite e a trigo...
Como que, em suas células vilíssimas,
Há estratificações requintadíssimas
De uma animalidade sem castigo.

Brancas bacantes bêbedas o beijam.
Suas artérias hírcicas latejam,
Sentindo o odor das carnações abstêmias,
E à noite, vai gozar, ébrio de vício,
No sombrio bazar do meretrício,
O cuspo afrodisíaco das fêmeas.

No horror de sua anômala nevrose,
Toda a sensualidade da simbiose,
Uivando, à noite, em lúbricos arroubos,
Corno no babilônico sansara,
Lembra a fome incoercível que escancara
A mucosa carnívora dos lobos.

Sôfrego, o monstro as vítimas aguarda.
Negra paixão congênita, bastarda,
Do seu zooplasma ofídico resulta...
E explode, igual à luz que o ar acomete,
Com a veemência mavórtica do ariete*
E os arremessos de uma catapulta.

Mas muitas vezes, quando a noite avança,
Hirto, observa através a tênue trança
Dos filamentos fluídicos de um halo
A destra descarnada de um duende,
Que, tateando nas tênebras, se estende
Dentro da noite má, para agarrá-lo!

Cresce-lhe a intracefálica tortura,
E de su’alma na caverna escura,
Fazendo ultra-epiléticos esforços,
Acorda, com os candeeiros apagados,
Numa coreografia de danados,
A família alarmada dos remorsos.

É o despertar de um povo subterrâneo!
É a fauna cavernícola do crânio
— Macbeths da patológica vigília,
Mostrando, em rembrandtescas telas várias,
As incestuosidades sanguinárias
Que ele tem praticado na família.

As alucinações tactis* pululam.
Sente que megatérios o estrangulam...
A asa negra das moscas o horroriza;
E autopsiando a amaríssima existência
Encontra um cancro assíduo na consciência
E três manchas de sangue na camisa!

Míngua-se o combustível da lanterna
E a consciência do sátiro se inferna,
Reconhecendo, bêbedo de sono,
Na própria ânsia dionísica do gozo,
Essa necessidade de horroroso,
Que é talvez propriedade do carbono!
Ah! Dentro de toda a alma existe a prova

De que a dor como um dartro se renova,
Quando o prazer barbaramente a ataca...
Assim também, observa a ciência crua,
Dentro da elipse ignívoma da lua
A realidade de uma esfera opaca.
Somente a Arte, esculpindo a humana mágoa,

Abranda as rochas rígidas, torna água
Todo o fogo telúrico profundo
E reduz, sem que, entanto, a desintegre,
À condição de uma planície alegre,
A aspereza orográfica do mundo!
Provo desta maneira ao mundo odiento

Pelas grandes razões do sentimento,
Sem os métodos da abstrusa ciência fria
E os trovões gritadores da dialética,
Que a mais alta expressão da dor estética
Consiste essencialmente na alegria.
Continua o martírio das criaturas:

— O homicídio nas vielas mais escuras,
— O ferido que a hostil gleba atra escarva,
— O último solilóquio dos suicidas —
E eu sinto a dor de todas essas vidas
Em minha vida anônima de larva!”
Disse isto a Sombra. E, ouvindo estes vocábulos,

Da luz da lua aos pálidos venábulos,
Na ânsia de um nervosíssimo entusiasmo,
Julgava ouvir monótonas corujas
Executando, entre caveiras sujas,
A orquestra arrepiadora* * do sarcasmo!
Era a elégia* ** panteísta do Universo,

Na podridão do sangue humano imerso,
Prostituído talvez, em suas bases...
Era a canção da Natureza exausta,
Chorando e rindo na ironia infausta
Da incoerência infernal daquelas frases.
E o turbilhão de tais fonemas acres

Trovejando grandíloquos massacres,
Há de ferir-me as auditivas portas,
Até que minha efêmera cabeça
Reverta à quietação da treva espessa
E à palidez das fotosferas mortas!

























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3



Pinaikutan mo 'ko, sumunod mundo ko nahilo
Hindi ko inakalang lalaki
Bumigat ang kalungkutan, mga luha 'di napigilan
Hanggang ngayo'y bumubuhos pa'rin









ako ang bagyo 「Lyrics」 - SHEAN



Pinaikutan mo 'ko, sumunod mundo ko nahilo
Hindi ko inakalang lalaki
Bumigat ang kalungkutan, mga luha 'di napigilan
Hanggang ngayo'y bumubuhos pa'rin

[Pre-Chorus]
Matakot na kayo
Ako, ako ang bagyo

[Chorus]
Kulimlim ng langit sa inyong dalawa
Bulong ko sa hangin, "Sana 'di kayo masaya"
Sa tibay ng bahay na titirhan niyo
Tatangayin ko bawat yero
Dahil ako, ako ang bagyo

[Verse 2]
Itinago na litrato, kunwaring hindi ko nakita
Takot ka sigurong masalanta ko siya
Tingin mo ba 'di ko kaya? Gusto mo na gusto kita
Tinatali mo 'ko sa pag-asa

[Pre-Chorus]
Matakot na kayo
Ako, ako, ako ang bagyo

[Chorus]
Kulimlim ng langit sa inyong dalawa
Bulong ko sa hangin, "Sana 'di kayo masaya"
Sa tibay ng bahay na titirhan niyo
Tatangayin ko bawat yero
Dilim ng paligid buhos ng emosyon
Tunog ng pag-ibig sa sama ng panahon
Sa tibay ng bahay na titirhan niyo
Gigibain ko mga pader niyo
Dahil ako, ako ang bagyo

[Bridge]
Lahat ng hahawakan ko lagi sa'kin na lumalayo
Lahat ng tao na nariyan, sa tuwing lalapit ay nasasaktan
At pag nag-sawa na sila sa akin, pag wala na sa'kin na nakatingin
Pag hindi na'ko nakakatawa, ako yung lagi na naiiwan mag-isa
Kahit pa na subukan ko ang lahat ng makakaya ko
Hindi pa rin naman 'yon sapat kung iisipin mo
Walang lalapit kung puro lang sugat ang matatamo nila
At sa tagal ko na binitbit ang bigat nitong pag-ibig ko
Konting galaw mo lang ay kidlat na 'gad sa dibdib ko
'Di ko naman gusto na saktan kita
Kaya mag-ingat ka

[Chorus]
Ako ang
Kulimlim ng langit sa inyong dalawa
Bulong ko sa hangin, "Sana 'di kayo masaya"
Sa tibay ng bahay na titirhan niyo
Tatangayin ko bawat yero
Kahit pa matunaw ako
Dahil ako, ako ang bagyo


ako ang bagyo - SHEAN 「Lyrics」 - English Translation


You spun me around; my world followed, and I grew dizzy.
I never imagined it would grow into this.
The sorrow grew heavy; I couldn't hold back my tears—
And even now, they keep pouring down.

[Pre-Chorus]
Be afraid.
I—I am the storm.

[Chorus]
Dark clouds gather over the two of you.
I whisper to the wind, "I hope you aren't happy."
No matter how sturdy the house you live in may be,
I will tear away every sheet of roofing.
Because I—I am the storm.

[Verse 2]
I hid the photograph, pretending I hadn't seen it.
You’re probably afraid I might destroy her, too.
Do you think I’m not capable of it? You like the fact that I like you
You keep me tethered to hope

[Pre-Chorus]
Be afraid
I, I, I am the storm

[Chorus]
The darkening sky hangs over the two of you
I whisper to the wind, "I hope you aren't happy"
No matter how sturdy the house you live in may be
I will sweep away every sheet of roofing
Darkness all around, a downpour of emotions
The sound of love amidst the foul weather
No matter how sturdy the house you live in may be
I will tear down your walls
Because I, I am the storm

[Bridge]
Everything I try to hold onto always drifts away from me
Everyone who comes near ends up getting hurt
And when they grow tired of me, when no one is looking my way anymore
When I’m no longer amusing, I’m the one who’s always left behind, all alone
Even if I try with everything I’ve got
When you really think about it, it’s still never enough
No one will come near if all they’ll get are wounds
And after carrying the weight of this love for so long
Even the slightest movement from you strikes my chest like lightning
I don’t actually want to hurt you
So, take care

[Chorus]
I am the
Darkening sky hanging over the two of you
I whisper to the wind, "I hope you aren't happy"
No matter how sturdy the house you live in may be
I will sweep away every sheet of roofing
Even if I end up dissolving away
Because I, I am the storm

























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Hindi ko inakalang lalaki
Bumigat ang kalungkutan, mga luha 'di napigilan
Hanggang ngayo'y bumubuhos pa'rin









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Pinaikutan mo 'ko, sumunod mundo ko nahilo
Hindi ko inakalang lalaki
Bumigat ang kalungkutan, mga luha 'di napigilan
Hanggang ngayo'y bumubuhos pa'rin

[Pre-Chorus]
Matakot na kayo
Ako, ako ang bagyo

[Chorus]
Kulimlim ng langit sa inyong dalawa
Bulong ko sa hangin, "Sana 'di kayo masaya"
Sa tibay ng bahay na titirhan niyo
Tatangayin ko bawat yero
Dahil ako, ako ang bagyo

[Verse 2]
Itinago na litrato, kunwaring hindi ko nakita
Takot ka sigurong masalanta ko siya
Tingin mo ba 'di ko kaya? Gusto mo na gusto kita
Tinatali mo 'ko sa pag-asa

[Pre-Chorus]
Matakot na kayo
Ako, ako, ako ang bagyo

[Chorus]
Kulimlim ng langit sa inyong dalawa
Bulong ko sa hangin, "Sana 'di kayo masaya"
Sa tibay ng bahay na titirhan niyo
Tatangayin ko bawat yero
Dilim ng paligid buhos ng emosyon
Tunog ng pag-ibig sa sama ng panahon
Sa tibay ng bahay na titirhan niyo
Gigibain ko mga pader niyo
Dahil ako, ako ang bagyo

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Lahat ng tao na nariyan, sa tuwing lalapit ay nasasaktan
At pag nag-sawa na sila sa akin, pag wala na sa'kin na nakatingin
Pag hindi na'ko nakakatawa, ako yung lagi na naiiwan mag-isa
Kahit pa na subukan ko ang lahat ng makakaya ko
Hindi pa rin naman 'yon sapat kung iisipin mo
Walang lalapit kung puro lang sugat ang matatamo nila
At sa tagal ko na binitbit ang bigat nitong pag-ibig ko
Konting galaw mo lang ay kidlat na 'gad sa dibdib ko
'Di ko naman gusto na saktan kita
Kaya mag-ingat ka

[Chorus]
Ako ang
Kulimlim ng langit sa inyong dalawa
Bulong ko sa hangin, "Sana 'di kayo masaya"
Sa tibay ng bahay na titirhan niyo
Tatangayin ko bawat yero
Kahit pa matunaw ako
Dahil ako, ako ang bagyo

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Escrito em meados do século XIV, ‘Decameron’ estabelece um padrão para o que viria a ser o conto ficcional. O livro reúne cem narrativas contadas por sete damas e três cavalheiros que, a fim de escapar da peste que assolava Florença, se recolhem e, para passar o tempo e celebrar a vida, narram histórias uns aos outros. A edição reproduz páginas de manuscritos iluminados por Boccaccio, que também foi um exímio copista.






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Escrito em meados do século XIV, ‘Decameron’ estabelece um padrão para o que viria a ser o conto ficcional. O livro reúne cem narrativas contadas por sete damas e três cavalheiros que, a fim de escapar da peste que assolava Florença, se recolhem e, para passar o tempo e celebrar a vida, narram histórias uns aos outros. A edição reproduz páginas de manuscritos iluminados por Boccaccio, que também foi um exímio copista.

Descrição do livro

Escrito em meados do século XIV, ‘Decameron’ estabelece um padrão para o que viria a ser o conto ficcional. O livro reúne cem narrativas contadas por sete damas e três cavalheiros que, a fim de escapar da peste que assolava Florença, se recolhem e, para passar o tempo e celebrar a vida, narram histórias uns aos outros. A edição reproduz páginas de manuscritos iluminados por Boccaccio, que também foi um exímio copista.

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Sobre o Autor:

Giovanni Boccaccio (Florença ou Certaldo, 16 de junho de 1313 — Certaldo, 21 de dezembro de 1375) foi um poeta e crítico literário italiano, especializado na obra de Dante Alighieri.
Filho de um mercador, Boccaccio não se dedicou ao comércio como era o desejo de seu pai, preferindo cultivar o talento literário que se manifestou desde muito cedo. Foi um importante humanista, autor de um número notável de obras, incluindo Decamerão, o poema alegórico Visão Amorosa (Amorosa visione) e De claris mulieribus, uma série de biografias de mulheres ilustres.[3] O "Decamerão" fez de Boccaccio o primeiro grande realista da literatura universal.
Ao ler "A Comédia", de Dante Alighieri, ficou tão fascinado que a renomeou de "A Divina Comédia", título com que a obra seria imortalizada. Considerado pelos seus contemporâneos florentinos uma autoridade sobre Dante, o governo da cidade convidou-o, em 1373, a fazer uma leitura pública da Divina Comédia. Se bem que haja poucos registos, crê-se que Boccaccio fez apenas cerca de 55 palestras, pois a doença obrigava-o a interromper a apresentação no Canto XVII do Inferno. Nunca conseguiria terminar o projecto, mas o texto com os seus comentários ficou para a posteridade: Esposizioni sopra la Comedia di Dante. Boccacio foi autor de uma das primeiras biografias de Dante, o Trattatello in laude di Dante, também conhecido como Vita di Dante. Encontra-se sepultado na Igreja de São Jacó e Filipe na Toscana, Itália.

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